XVII Congresso Sul Brasileiro de Medicina Intensiva

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Dados do Trabalho


Título

Uso racional de antimicrobianos: a importância da equipe multidisciplinar.

Objetivo(s)

Relatar a redução do consumo de antimicrobianos na UTI adulto do Hospital Municipal Ruth Cardoso após implantação de estratégias de uso racional dessas drogas.

Métodos

Através da análise da prescrição médica, o consumo de antibióticos da UTI começou a ser quantificado pela equipe da CCIH em junho de 2016. Entre junho e setembro (P1), a equipe apenas conferia a prescrição, medindo o consumo de antibiótico dentro da unidade. A partir de outubro, com a contratação de um médico intensivista, criação de protocolo de antibioticoterapia, e implantação de round multidisciplinar diário (com discussões clínicas entre médico intensivista, laboratório de microbiologia e equipe da CCIH), as taxas de outubro de 2016 até maio de 2017 (P2) foram comparadas com as do P1.

Resultados

A taxa de consumo de antibióticos caiu drasticamente, sobretudo daqueles considerados de amplo espectro. O consumo geral foi de 977 no P1 e de 598 no P2 (todos em grama por 1000 pacientes/dia). Meropenem (232 X 70), Piperacilina-Tazobactam (198 X 118), Vancomicina (203 X 40) e Polimixina-B (70 X 10) foram menos consumidos no P2. Cefepime (109 X 141) e outros ATB (165 X 219), por outro lado, foram mais utilizados.

Conclusão

O uso racional de antimicrobianos pode ser definido como a prática de prescrição que resulta na ótima indicação, dosagem, via de administração e duração de tratamento antibioticoterápico, alcançando o sucesso clínico com mínima toxicidade para o paciente e reduzido impacto sobre a resistência microbiana hospitalar. Para alcançá-lo, é necessário criar estratégias institucionais específicas, que vão desde a criação de programas de educação médica até a implantação de protocolos rígidos de uso das drogas. A estratégia utilizada em nosso hospital conseguiu reduzir a prescrição de antibióticos praticamente pela metade, reduzindo custos, diminuindo carga de trabalho da enfermagem e contribuindo para a melhora da qualidade assistencial. É importante salientar que durante o P2, também houve redução na incidência de IRAS e de mortalidade. Quando o assunto é antibioticoterapia, vale o antigo conceito de que menos é mais.

Referências

Área

SEPSE/Infecção

Instituições

Autores

Débora Lemos, César Augusto de Meirelles Almeida, Raphael Bertacchini, Juliane Nunes Vianna, Ricardo Dias Zimmermann, Leonardo Pocai