XVII Congresso Sul Brasileiro de Medicina Intensiva

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Dados do Trabalho


Título

SARA precoce em vítimas de tentativa de suicídio por enforcamento – Série de casos

Objetivo(s)

Relato de dois casos de pacientes vítimas de tentativa de suicídio por enforcamento que evoluíram com SARA precocemente.

Métodos

Estudo retrospectivo com revisão de prontuário.

Resultados

Foram admitidas, em maio de 2017, duas pacientes do sexo feminino por tentativa de suicídio por enforcamento, que evoluíram com SARA (síndrome da angústia respiratória aguda) precocemente. A primeira, 39 anos, tabagista, depressiva em acompanhamento psicológico e histórico de depressão puerperal, admitida pós-parada cardiorrespiratória em ritmo AESP (atividade elétrica sem pulso) por aproximadamente dez minutos. Seis horas após a admissão, evoluiu com SARA moderada (PaO2/FiO2 166) provavelmente secundária à pneumonia aspirativa. A tomografia de tórax revelou infiltrado pulmonar bilateral, sem evidência de disfunção ventricular, segundo julgamento clínico. Doze horas após a admissão, teve piora da relação PaO2/FiO2 (78), indicando posição prona. Evoluiu com choque séptico, insuficiência renal dialítica e edema cerebral progressivo, evidenciado por tomografia de crânio seriada. Após seis dias da admissão, evoluiu com morte encefálica secundária à hipertensão intracraniana. A segunda paciente, 24 anos, tabagista, encontrada por familiares após seis horas da tentativa de suicídio (Glasgow 6 no local), sendo intubada por rebaixamento do nível de consciência. A primeira gasometria já demonstrava relação PaO2/FiO2 de 202 e a tomografia de tórax evidenciou pneumomediastino, consolidações e atenuações em vidro fosco difusas bilateralmente e derrame pleural bilateral. Como complicações apresentou traqueobronquite, crises convulsivas e diabetes insipidus. Evoluiu com melhora clínica gradual, permaneceu sete dias em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e segue em internamento hospitalar.

Conclusão

As lesões que costumam ocorrer após tentativa de enforcamento são fraturas de coluna cervical, anóxia cerebral, sangramento de retina, entre outros. Sobre complicações pulmonares, pode ocorrer pneumonia aspirativa, edema pulmonar e, em alguns casos, evolução para SARA. Sua patogênese parece estar associada à pressão intratorácica negativa gerada a partir da inspiração forçada contra uma via aérea obstruída, resultando em transudação de líquidos para o interstício; além da aspiração de conteúdo gástrico. Baixa pontuação de Glasgow e ventilação mecânica parecem ser fatores associados ao desenvolvimento de SARA nesses casos.

Referências

Área

Doenças Respiratórias

Instituições

Autores

Thiago Simões Giancursi, Gabriela Maria Venson, Gabriella França Pogorzelski, Tomás Machado Lacerda