XVII Congresso Sul Brasileiro de Medicina Intensiva

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Dados do Trabalho


Título

Endocardite infecciosa por Haemophilus parainfluenzae: relato de caso

Objetivo(s)

Descrever o caso de uma mulher com endocardite infecciosa causada por Haemophilus parainfluenzae

Métodos

As informações foram obtidas por revisão de prontuário, registro dos métodos diagnósticos e revisão de literatura

Resultados

A endocardite infecciosa pode ter como etiologia diversos agentes. Dentre os mais raros, encontram-se os do grupo HACEK (Haemophilus spp, Actinobacillus actinomycetemcomitans, Cardiobacterium hominis, Eikenella corrodens e Kingella kingae), gram negativos responsáveis por cerca de 3% dos casos de endocardites. Apresenta-se o caso de uma mulher de 32 anos com quadro febril há 3 dias, portadora de próteses valvares mitral e aórtica e em uso de warfarina. À internação, apresentava-se febril, taquicárdica e taquipneica; à ausculta cardíaca, tinha sopro sistólico em foco aórtico e mitral. Os exames laboratoriais revelaram hemoglobina de 10 g/dl, 31.300 leucócitos, velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa elevadas. No ecocardiograma inicial não foi identificada imagem sugestiva de vegetação, não sendo, assim, iniciada antibioticoterapia empírica. Após três dias, as culturas vieram positivas para Haemophilus parainfluenzae e na sequência um novo ecocardiograma evidenciou a presença de duas vegetações na valva mitral, sendo iniciada terapia com ceftriaxona 2g por dia. Ao sexto dia de internação, paciente evoluiu com cefaleia holocraniana importante associada a fotofobia, êmese e sensação de parestesia em membro superior direito, sendo diagnosticada, posteriormente, com crise convulsiva do tipo sensitiva. Paciente obteve melhora dos sintomas neurológicos com o uso de fenitoína, mas evoluiu no nono dia de internação com quadro de prurido generalizado, vários picos febris diários e elevação das enzimas hepáticas. Devido a história prévia de alergia à penicilina, foi feita a hipótese diagnóstica de reação adversa ao ceftriaxona, que foi substituído pela associação de ampicilina, gentamicina e anti-histamínico, até completar seis semanas de tratamento. Após a troca, houve melhora do quadro clínico da paciente.

Conclusão

É rara a identificação de agentes do grupo HACEK associados a endocardite infecciosa. O caso apresentado, realça a importância de identificar o agente etiológico para adequação do tratamento, além de destacar o papel fundamental do diagnóstico clínico de endocardite nesses casos em que o desenvolvimento de alterações ecocardiográficas é mais tardio.

Referências

Área

SEPSE/Infecção

Instituições

Autores

Taynara Cristina da Cruz Ferreira, Flávia Fonseca Gregori